segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boas Festas!

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e mulheres por ele amados. Nasceu o menino Deus, o Emanuel: Deus conosco; o Ieshuá: o Messias; o Cristo: o Ungido.

A todos  e todas que colaboraram com a realização dos objetivos desta Federação nossos votos de muita paz, saúde, bonança, esperança e muitos momentos de felicidades neste ano de 2011 que se aproxima.

Que todos os Orixás possam derramar suas bençãos, seu AXÉ sobre cada filho e filha desta terra. Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

São os votos da família Federação das Organizações Quilombolas de Santarém - FOQS.

Edital Terraguá

O Instituto de Tecnologia Sócio-ambiental do Baixo Sul da Bahia – INSTITUTO TERRAGUÁ CHAMA PARA CONTRATAÇÃO de Mobilizador Territorial e Supervisor de Equipe de Mobilização, com experiência comprovada de atuação junto às comunidades quilombolas localizadas nos Territórios da Cidadania, para atuar no Projeto de Articulação e Acesso das Comunidades Quilombolas às Políticas Públicas de Desenvolvimento Rural nos Territórios da Cidadania, convênio firmado com o Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDA /AEGRE, Convênio MDA nº 703465/2009 que tem como objetivo "Contribuir com o etnodesenvolvimento das comunidades quilombolas dos Territórios da Cidadania por meio da sua inserção social, da promoção da sua autonomia e articulação com as políticas públicas de desenvolvimento rural. Os Territórios da Cidadania abrangidos pelo Projeto são: da bacia Leiteira, do Agreste (AL); Sul do Amapá (AP);Baixo Sul, Chapada Diamantina,Sul, Velho Chico,Irecê (BA);Inhamuns Crateús (CE);Norte (ES);Chapada dos Veadeiros (GO);Alcântara, Baixada Ocidental, Cocais, Vale do Itapecuru (MA);Médio Jequitinhonha, Noroeste de Minas, Serra Geral, Vale do Mucuri (MG);Da Reforma,Grande Dourados (MS);Baixada Cuiabana,(MT)Baixo Amazonas, Nordeste Paraense,Baixo Tocantins (PA);Médio Sertão (PB); Agreste Meridiano,Sertão do Pajeú (PE);Carnaubais, Vale do Guariba (PI);Vale do Ribeira (PR);Baía de Ilha Grande, Norte (RJ);Seridó (RN);Zona Sul do Estado (RS);Planalto Serrano (SC);Sudoeste Paulista, Vale do Ribeira(SP);Baixo São Francisco (SE)".
Para a região do Baixo Amazonas foi selecionado, a priori, o nome de Miriane Costa Coelho, do quilombo de Nova Vista do Ituqui. Parabéns e força no trabalho pelo desenvolvimento das comunidades quilombola de nossa região.

FOQS visita a II Mostra Nacional de Economia Solidária

Através do projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária o articulador estadual do projeto, Aldo Lima, esteve participando da II Mostra Nacional de Economia Solidária que ocorreu de 08 a 12 de dezembro em Salvador / BA, onde foi possível fazer uma interação com os diversificados empreendimentos de economia solidária existentes no país, indígenas, quilombolas, mulheres e demais comunidades.

O evento teve como obejtivoContribuir para a visibilidade e fortalecimento da Economia Solidária no Brasil, afirmando uma identidade nacional comum entre os diversos atores envolvidos com a Economia Solidária, respeitando as diversidades regionais, bem como propiciar a integração e sinergia destes atores junto às diversas manifestações que ocorrerão no âmbito dos eventos, com uma metodologia educativa e participativa nas exposições.

Faziam parte dos objetivos também a perspectiva de avanço na construção de metodologias de autogestão para as feiras de economia solidária e a realização de seminários e debates sobre temas que contribuam para fortalecer a Economia Solidária no Brasil.

 
Foi uma experiência extremamente importante para a ampliação da visão de economia solidária entendida pela FOQS. Foi possível ainda participar da formação em economia solidária promovida pela Cáritas Nacional onde foram abordados os diversas modalidades de fundo de apoio rotativo e a criação de bancos comunitários.
 
Também foi realizada uma breve reunião com os articuladores estaduais do projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária onde foram feitos alguns esclarecimentos e dados alguns encaminhamentos a respeito do projeto.

FOQS participa de seminário promovido pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos em São Paulo

No período de 04 a 09 de dezembro, esteve em São Paulo/SP, o presidente da FOQS, Antônio Pereira Pinto  em um seminário promovido pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos (FBDH) onde foram apresentados os diversos trabalhos que estão sendo realizados pelas organizações que são apoiadas pelo FBDH. A FOQS é apoiada no projeto "Terra de Negro - Capacitação em Direitos Territoriais e Fortalecimento das Comunidades Quilombolas de Santarém" que tem como objetivo preparar jovens e lideranças quilombolas a respeito dos direotos territorias sendo assim viabailizado o monitoramento dos processos que estão em tramitação na superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA / SR 30 - Santarém - PA, assim como viabilizar a organização de novas associações quilombolas em Santarém.

Qualificação para o censo quilombola - Projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária

Dois representantes da equipe executiva do projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária, Sandra Mayrink Veiga e Sandro Rogério do Nascimento, estiveram em Santarém no período de 25 a 29 de novembro de 2010 qualificando um grupo de 10 agentes locais de economia solidária que farão o censo quilombola, uma das etapas do projeto, que terá duração de três meses: dezembro/ 2010, janeiro e fevereiro/2011.Fotam apresentados os instrumentos a serem utilizados a ssim como tabém foi feita  apresentação do portal do projeto que ainda está sendo construído e que constará do histórico das comunidades quilombolas, dados do censo, empreendimentos identificados, catálogos de produtos entre outras informações a respeito do quilombo. Rassaltamos que o projeto tem como objetivo geral contribuir para o etnodesenvolvimento através do formento à Economia Solidária e o fortalecimento da organização nacional e das organizações locais dos quilombolas, junto com os agentes de desenvolvimento local, por meio de processos de formação dialógicos, da pesquisa-ação, formação de redes e de cadeias produtivas.

Reunião do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial

A FOQS esteve reunida com o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial - CEPIR onde possui como participantes Aldo Luciano Corrêa de Lima (Titular) e Dileudo Guimarães dos Santos (Suplente) dos quilombos do Baixo Amazonas. O senhor Franciney Oliveira de Jesus, tesoureiro da FOQS, foi representando a FOQS já que os dois delegados não puderam comparecer. O encontro serviu para avaliar a atuação da CEPIR e definir novas estratégias de atuação. Depois do encontro em reunião a FOQS definiu que os novos delegaddos serão Dileudo Guimarães dos Santos (Titular) e Ivanildo Furtado Pinto (Suplente).

Seminário sobre as ações do MDS/SESAN - Brasília/DF

Foi realizado no período de 24 a 25 de novembro de 2010, em Brasília - DF mais um Seminário das Ações do Ministério de Desenvolvimento e Combate a Fome (MDS) entre eles as Cestas de Alimentos do programa Fome zero, o Programa  Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos - PAA. Entre as questões apresentadas pelos dois representantes da FOQS, Antônio Pinto (presidente da FOQS) e Raimundo Benedito Mota (presidente do quilombo Tiningu) foi a necessidade do programa Fome Zero (Cesta de Alimentos) ser ampliado para assim mais famílias poderem ser atendidas. O MDS/SESAN respondeu que o mesmo trabalha com dados de 2003 fornecidos pela Fundação Cultural Palmares e  que todo o orçamento do MDS para o PAA foi feito com base nesses dados, por isso não há a possibililidade de inclusão de mais famílias o que ode ocorrer  é uma família que sente que não necessita ser mais atendida pelo PAA de cede seu lugar a uma outra. Outra questão apresentada foi a impoprtância das famílias estarem participando do PAA para assim estarem fortalecendo a agricultura familiar e gerando renda para a comunidade, já que por exemplo no quilombo de Tiningú será implentada uma cozinha comunitária que dependerá da produção das comunidades quilombolas de Santarém.

FOQS participa da reunião do Comitê Internacional do Fórum Social Pan Amazônico e da avaliação de sua V edição realizada nos dias 25 - 29 de novembro de 2010

A Federação das Organizações Quilombolas de Santarém - FOQS esteve presente na reunião do Comitê Internacial do Fórum Social Pan Amazônico (FSPA), através de seu representante Aldo Luciano Lima. A reunião ocorreu no Amazônia Boulevard Apart Hotel com o objetivo de avaliar a realização do V FSPA que foi realizado em Santarém no período de 25 a 29 de novembro de 2010. Na avaliação geral das entidades membros presentes este FSPA foi um dos melhores senão o melhor em organização e infra estrutura. Entre outros pontos apresentados parabenizou-se pela eficiência ambiental, pela metodologia utilizada, pela comunicação partilhada, pela cultura local valorizada assim como pelo desempenho do Grupo de articulação de belém e do Grupo de Facilitação de Santarém que fez o V FSPA acontecer. Foram também sinalizadas os possíveis locais de realização do VI FSPA que terá sua confirmação em janeiro de 2011.
A FOQS também esteve presente na avaliação do Grupo de Facilitação de Santarém que estiveram reunidos na comunidade Campo Novo, onde foram apresentados todos os pontos fortes do V FSPA, suas dificuldades e desafios. De forma geral foi identificado que o movimento social de Santarém e do Oeste do Pará nunca havia se articulado com tamanha força e que o V FSPA serviu para esse fortalecimento. Ficou o desejo de que não se perca essa articulação e definido que será constituída uma equipe para viabilizar a participação dos que fizeram parte do Grupo de Facilitação de Santarém para participarem do Fórum Social Mundial em Dakar - Senegal - África em fevereiro de 2011.
Ressaltamos aqui que os quilombolas do Pará e representante tiveram forte presença na organização do V FSPA, tivemos Alta (quilombola de Óbidos - AOMTBAM) trabalhando na parte finaceira; Irene Pinheiro (quilombola de Oriximiná - AOMTBAM) trabalhando na coordenação do credenciamento; Miriane Coelho (quilombola de Nova Vista do Ituqui - Santarém - FOQS) trabalhando na coordenação de credenciamento e Aldo Lima (representante da FOQS/MALUNGU - Santarém) trabalhando na coordenação da comunicação e cultura). Parabenizamos a participação de todas essas companheiras  e esse companheiro que conseguiram marcar a presença quilombola na organização do V FSPA.

Carta de Santarém

Foi publicada a Carta de Santarém, documento que é a voz dos povos pan amazônicos e que traz os anseios e os gritos desses povos, veja a carta abaixo na íntegra:

Carta de Santarém


Temos uma utopia: A construção de um continente sem fronteiras, a Aby- Ayala, terra de muitos povos, iguais em direitos e solidários entre si. Uma terra livre de toda opressão e exploração.

A vida em harmonia com a Natureza é condição fundamental para a existência de Aby-Ayala. A Terra não nos pertence. Pertencemos à ela. A Natureza é mãe, não tem preço e não pode ser mercantilizada.

Compreendemos que Aby-Ayala deva ser construída a partir de estados plurinacionais que substituam o velho estado centralizador, patriarcal e colonial, dando à luz a novas formas de governo, onde a democracia se exerça de baixo para cima, seguindo a máxima do mandar, obedecendo, onde exista um diálogo de saberes e culturas, onde cada povo seja livre para decidir como quer viver.

A participação plena e igualitária das mulheres é uma condição fundamental na construção das novas sociedades. Da mesma forma a proteção integral das crianças, como portadoras do futuro da Humanidade.

A Terra, nossa casa comum, se encontra ameaçada por uma hecatombe climática sem precedentes na história. O derretimento dos glaciares dos Andes, as secas e inundações na Amazônia são apenas os primeiros sinais de uma catástrofe provocada pelos milhões de toneladas de gases tóxicos lançadas na atmosfera e os danos causados à Natureza pelo grande capital, através da mineração descontrolada, a exploração petrolífera na selva e o agronegócio. Tal situação é agravada pelos mega-projetos, integrantes do IIRSA, como são a construção de hidrelétricas nos rios amazônicos e as grandes rodovias que destroem a vida de povos ancestrais, criando novos bolsões de miséria. Para deter este ciclo de morte é necessário defendermos nossos territórios exigindo o imediato reconhecimento e homologação das terras indígenas, titulação coletiva das terras quilombolas e comunidades tradicionais, bem como o pleno direito de consulta livre bem informada e consentimento prévio para projetos com impacto social e ambiental, preservando assim nossa terra, nosso modo de viver e a nossa cultura, defendendo a natureza e a vida.

Defendemos e construímos a aliança entre os povos da floresta, dos campos e das cidades. Fazem parte de nosso patrimônio comum a luta dos camponeses pela terra, os direitos dos pequenos agricultores a assistência técnica, credito barato e simplificado, e os justos reclamos por saúde, educação, transporte e habitação dignas para todos. Lutamos por uma sociedade sem exclusões, com liberdade, justiça e soberania popular. Combatemos no dia-a-dia todas as formas de exploração e discriminação baseadas em gênero, etnia, identidade sexual e classe social. Particularmente nos esforçaremos para superar a invisibilidade da população afrodescendente nas suas lutas e propostas sobre poder, autonomia e território.

A Amazônia Sul-americana possui problemas urbanos extremamente graves, nesse sentido é fundamental lutar pela construção de cidades justas, democráticas e sustentáveis, adequadas as diferentes realidades desta região, contemplando a diversidade dos atores sociais que vivem nessas cidades.

Na Pan-Amazônia, como em toda a América Latina, enfrentamos o militarismo que atua como mediador entre o colonialismo e o imperialismo. Condenamos a utilização das forças militares, corpos policiais, paramilitares e milícias como agentes repressivos das lutas dos povos, bem como os intentos de se utilizar a Justiça para criminalizar os movimentos sociais, a pobreza e os povos indígenas. Denunciamos a presença de tropas norte-americanas na Colômbia e a reativação da IV Frota estadunidense como ameaças à paz no continente. Repudiamos o colonialismo francês na Guiana e apoiamos os esforços de seus povos para alcançarem a independência. Nos manifestamos contra o golpe militar em Honduras e a ocupação militar do Haiti. Da mesma forma protestamos contra as barreiras que procuram impedir a livre circulação dos povos entre nossos países, defendemos o direito dos migrantes de terem uma vida plena e digna no país que escolherem para morar.

Lutamos por construir países apoiados em economias que mantenham a soberania e a segurança alimentar, que desenvolvam alternativas aos modelos predatórios e extrativistas e que tenham na economia solidária e na agroecologia, pilares na edificação do bem estar social. Para nós os saberes ancestrais são fontes de aprendizagem e ensinamento em igualdade de condições com o chamado conhecimento científico; a democratização dos meios de comunicação uma necessidade inadiável; a liberdade de expressão e a apropriação das novas tecnologias um direito de todos; bem como uma educação que estimule o diálogo, os contatos sem barreiras, os dons e talentos individuais e coletivos que dissemine valores humanos, abrindo caminho para a transformação íntima e social.

Reafirmamos nossa identidade amazônida através de nossas múltiplas faces, honrando a tradição e construindo o novo. Fazem parte desta identidade as línguas originais dos nossos povos e seus conhecimentos tradicionais.

Estes são os nossos compromissos. Devemos transformá-los em ação.

LINHAS DE AÇÃO:

Lutar pela produção de outras formas de energia em pequena escala, fortalecendo a autonomia e a autogestão da Amazônia e de suas comunidades;

Realizar campanha pelo reconhecimento, demarcação e homologação das terras indígenas, titulação coletiva das terras quilombolas e de comunidades tradicionais;

Lutar pela titulação de terras aos trabalhadores do campo e da cidade;

Realizar campanhas pela aprovação de leis regulamentando a consulta prévia livre bem informada e consentimento prévio para projetos com impacto social e ambiental nos países Pan-Amazônicos;

Organizar fóruns regionais para troca de conhecimentos e implementação de ações, com organizações de outras regiões, em cada local onde a Mãe Terra esteja sendo agredida, ou ameaçada;

Participar das redes que investigam a ação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Brasil), contribuindo para obstruir os financiamentos a projetos que destroem o meio ambiente;

Promover ações articuladas de denuncia e pressão contra projetos de caráter sub-imperialista do governo brasileiro na Pan-Amazônia;

Unificar as lutas contra a construção de represas hidrelétrica nos rios da Amazônica, em especial as lutas contra Belo Monte, Inambary, Paitzpatango, Tapajós, Teles Pires, Jirau, Santo Antonio e Cachuela Esperanza;

Realizar encontros e marchas denunciando as diversas formas de opressão, como o machismo, racismo e homofobia, e apresentando as soluções propostas pelas organizações e movimentos sociais;

Pensar formas de avançar nos processos de debate e avaliação coletiva, incluindo a elaboração de materiais que possam auxiliar nestes momentos;

Avançar na elaboração de propostas para garantir vida digna a todos os povos da Pan-Amazônia, considerando suas diferenças intra e inter-regionais;

Mobilizar as sociedades civis Pan-Amazônicas, contra as falsas soluções de mercado para o clima, como o REDD;

Desenvolver lutas contra o patenteamento do conhecimento das populações tradicionais, que apenas promovem os interesses das grandes corporações transnacionais;

Mobilizar as organizações contra as estratégias dos governos e das grandes empresas, voltadas à flexibilização da legislação ambiental na Pan-amazônia;

Lutar pelo reconhecimento legal de “territórios livres da mineração” e de outros empreendimentos, nos ordenamentos jurídicos dos países da Pan-Amazônia;

Articular a criação do “Dia da Pan-Amazônia”, onde todas as organizações realizem manifestações e discussões conjuntas, chamando a atenção mundial para os problemas ambientais, sociais, econômicos, culturais e políticos que ocorrem nesta região;

Constituir um centro de comunicação do FSPA, de maneira compartilhada, com a função de interligar os movimentos sociais da Pan-Amazônia, socializar debates e iniciativas de ação;

Divulgar as ações, discussões e resultados do FSPA nas comunidades, através de uma rede de comunicação;

Construir uma presença marcante da Pan-Amazônia na reunião do FSM em Dakar, no Senegal, em fevereiro de 2011;

Inserir o FSPA em redes e articulações que tenham causas comuns;

Realizar o FSPA de dois em dois anos, em países diferentes, com candidaturas antecipadas que deverão ser aprovadas pelas instancias do FSPA.

Santarém, 29 de novembro de 2010



Quilombolas no V Fórum Social Pan Amazônico - Santarém - Pará - Brasil

Durante os dias 25 a 29 de novembro as comunidades quilombolas do Pará estiveram em itensa atividade por conta da realização do V Fórum Social Pan Amazônico (V FSPA) que ocorreu em Santarém - Pará - Brasil neste período. Estiveram presentes 126 quilombolas oriundos dos municííos de Acará, Baião, Abaetetuba, Oeiras do Pará, Moju, Alenquer, Oriximiná e Santarém.
No dia de abertura todos e todas os (a) quilombolas saíram em contejo, dando gritos de "ordem e desordem" animados pela fanfarra da escola municipal Afro Amazonida do quilombo de Murumuru que abrilhantou todo o cortejo. No palco de abertura tiveram presença garantida Cleide Vasconcelos, do quilombo de Arapemã, as Pretinhas de Angola do quilombo Pérola do Maicá e o grupo Angonal Capoeira que juntos apresentaram uma performace que sintetizava a cultura afroamazônida.
Entre as atividades que foram realizadas a FOQS em parceria com a MALUNGU realizou o IV Semínário de Regularização Fundiária que ocorreu na escola Diocesana São Francisco e que teve como objetivo discutir a questão fundiária dos quilombolas no estado do Pará. Após este seminário ainda foi realizado um outro com o tema Educação Quilombola onde foram apresentadas algumas questões a respeito da educação diferenciada para as comunidades quilombolas, assim como políticas e outros encaminhamentos para efetivação da uma educação qualitativa para essas comunidades. No segundo turno ainda foi realizado um seminário de Cultura das Comunidades Quilombolas onde através de uma roda de conversa foram postas questões como a importância da cultura como resgate e valorização da identidade quilombola.
Durante as noites dos dias 25 a 27 apresentaram-se cinco expressões culturais das comunidades quilombolas: Pássaro taxã, do quilombo Bom Jardim; Dança do Açaí, do quilombo de Murumurutuba; Pretinhas de Angola, do quilombo Arapemã; Pretinhas de Angola, do quilombo Pérola do Maicá e a cantora Cleide Vasconcelos, do quilombo de Arapemã.
No dia 28 e 29 os quilombolas estiveram presentes nas atividades distribuídas nos quatro eixos temáticos do V FSPA garantindo a voz das conunidades quilombolas no território Pan Amazônico.
A experiência do V FSPA foi única para todos os quilombolas que participaram do evento, ficaram marcados sentimentos de luta e conquista, de que "foi ouvido o clamor que soava no deserto". Axé a todos e todas e que no VI FSPA possamos estar juntos lutando para que um outro mundo seja possível.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Escolas Quilombolas comemoram o Dia da Consciência Negra 2010

As escolas muncipais São João Batista (quilombo Tiingu), São Sebastião (quilombo Murumurutuba), N. Sra da Guia - Afroamazonida (quilombo Murumuru) e São Pedro (quilombo Bom Jardim) comemoraram o dia 20 de novembro realizando uma grande cuminância das atividades realizadas ao longo do ano com temáticas referentes a negritude e as questões étnicorracias no geral. Foi uma grande festa em todos os quilombos. Houveram aprsentações de dramatizações, exposições de cartazes, esculturas, artesanatos, concursos de penteados afro, danças, poesias, todos trabalharam muito para celebrar este dia. Parabéns às escolas quilombolas da região do Planalto que estão aplicando muito bem a africanidade em seu currículo escolar.


20 de novembro - chama para a luta

Neste mês de novembro comumente  todo o movimento negro no país comemora a consciência negra, este mês passou a ser um momento em que mais se enfatisa a importãncia sobre a construção da história do negro no Brasil e suas contribuições para o desenvolvimento do processo civilizatório dessa nação.  A conciência negra vem ser, entre tants definições já existentes:
- a luta pela garantia de direitos iguais de oportunidade;
- a implantação efetiva de políticas públicas para toda a população negra;
- o reconhecimento positivo da contribuição do negro no Brasil no processo civilizatório desse país;
-  o respeito pela unidade na pluriformidade.
O 20 de novembro, data da morte de Zumbi de Palmares, vem nos lembrar que a luta que todos os negros, índios e brancos que se irmanaram em Palmares ainda resiste hoje e de que todo(a) aquele(a) que sente uma forte indignação dentro de si ao ver a injustiça acontercer, é a prova de que Zumbi esta com ele, e por isso o mantem vivo.
Neste ano as comunidades quilombols  de Santarém juntamente com os grupos de capoeira Angonal e ACAMP estiveram participando ativamente  e conjuntamente do Fórum na Orla, ação organizada pela coordenação do V Fórum Social Pan Amazônico (V FSPA) em parceria com a Federação das Organizações Quilombolas de Santarém - FOQS através do Ponto de Cultura Kizomba que foi quem mobilizou as expressões culturais quilombolas, Companhia Angonal de Capoeira e ACAMP. A atividade teve como objetivo fazer a divulgação  e mobilização da população para o V FSPA e comemorar o dia da consciência negra. A atividade contou com a participação de Cleide Vasconcelos que cantou suas belíssimas músicas, do quilombo de Arapemã, desse mesmo quilombo vieram as pretinhas de Angola que abrilhantaram a noite, o início se deu com a dança fa umbigada e um bom banho de cheiro feito pelas pretinhas de Angola do quilombo Pérola do  Maicá, houveram ainda as participaçõoes do grupo roda de cumrimbó e o cantor Chico Malta de Alter do Chão, foi uma belíssima e gostosa mobilização.



banho de cheiro
 

Angonal Capoeira


Cleide Vasconcelos


Grupo Roda de Curimbó e Chico Malta

Dança da umbigada e dança das pretinhas - Quilombo Páerola do Maicá

Dança das Pretinhas - Quilombo Arapemã

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Laçamento de Edital Juventude Negra

JUVENTUDE NEGRA


NUFOC - Núcleo de Formação Cultural da Juventude Negra

Reconhecer e valorizar a importância da diversidade étnico-cultural afro-brasileira em nosso País, por meio da formação técnico-cultural de jovens negros. Este é o objetivo do projeto Juventude Negra, implementado pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Cultural Palmares, que está com inscrições abertas a instituições de Ensino Superior e entidades culturais, historicamente comprometidas com a Cultura Afro-brasileira.
Sob a coordenação do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da Palmares, o projeto Juventude Negra será viabilizado por meio do I Edital Procultura – Núcleo de Formação Cultural da Juventude Negra. O Edital selecionará 10 projetos, visando a implantação de 10 Núcleos de Formação Cultural – NUFOC, em 10 Estados brasileiros. Serão selecionadas duas instituições em cada região brasileira (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste).

QUEM PODE PARTICIPAR

As instituições e entidades interessadas em participar do Edital e implantar um NUFOC devem ser ligadas diretamente a Universidades e Faculdades, públicas ou privadas, de todas as cinco regiões do País – ou manter parcerias sistêmicas com as mesmas.

Vale frisar que a formação técnico-cultural prevista irá não apenas capacitar tecnicamente os interessados, mas, também, apresentar aos alunos, por meio de um módulo comum, temas relativos à história e à cultura afro-brasileiras. Com isso, o principal diferencial deste projeto será a proposta pedagógica apresentada, elaborada de modo a articular as ações com as demandas da comunidade na qual a instituição esteja contextualizada, e os resultados pretendidos.

A expectativa é que o envolvimento com a história e a cultura afro-brasileira estimule os alunos, de forma geral, a refletir sobre seu papel na sociedade, particularmente no que diz respeito à forte influência da cultura africana na formação das bases culturais brasileiras, desenvolvendo uma consciência crítica. De forma particular, que esses jovens se identifiquem com novas posturas, criando novas oportunidades para experimentarem novos ‘olhares’ sobre as ferramentas e os mecanismos de trabalho nas diferentes áreas da cultura e sobre os seus resultados.

O QUE SERÁ O NUFOC

Os Núcleos de Formação Cultural da Juventude Negra deverão oferecer capacitação técnico-cultural a jovens afro-brasileiros, entre 16 e 25 anos de idade, viabilizando a sua formação como produtores culturais, aptos a atuar no mercado de trabalho e em suas comunidades, desenvolvendo e consolidando experiências na área.

Cada NUFOC terá como meta atuar diretamente com 600 jovens negros, todos provenientes das classes C, D e E, e escolhidos por processo de seleção. Estes alunos serão divididos em duas turmas: a primeira será composta por 300 universitários, que receberão um programa de formação e uma bolsa de apoio. A outra turma, com 300 alunos que tenham concluído o ensino médio, não receberá bolsa de apoio, mas, sim, um programa especial de formação e auxílio-transporte.

No total, serão capacitados 6.000, (seis mil), jovens negros em todo o Brasil.

ABRANGÊNCIA DO PROJETO PEDAGÓGICO

As iniciativas devem apresentar um planejamento de ensino que contemple obrigatoriamente propostas relativas a:

a) Formação em história e cultura afro-brasileiras;
b) Formação técnica em um segmento cultural;
c) Formação técnica com ênfase em gestão, tributação e legislação para o Terceiro Setor;
d) Criação do material didático a ser utilizado;
e) Orientação para encaminhamento de alunos ao mercado de trabalho, empreendimentos comunitários, atividades voluntárias e outros;
f) Emissão de certificação para a referida formação.


Além disso, as propostas devem observar os seguintes critérios:

· Cada instituição deve definir: carga horária, conteúdos e metodologia de ensino.
· O processo seletivo deverá ser estruturado com critérios claros e democráticos, e que atinjam diretamente o público do projeto.
· O sistema de ensino pode ser presencial ou semipresencial.
· Como toda a infra-estrutura para a realização do projeto é de responsabilidade do proponente, as propostas já devem apontar as disponibilidades e os diferenciais físicos para abrigar o Núcleo.
· Caso a instituição já possua programas nesse contexto, é interessante articular as iniciativas para ampliar os resultados.

INSCRIÇÕES

O Edital foi publicado no Diário Oficial da União no dia 27/10/2010* e poderá ser encontrado nos sítios da Fundação Palmares (www.palmares.gov.br) e do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br).


A inscrição das propostas deverá ser feita pelo sistema SALIC do Ministério da Cultura, (http://sistemas.cultura.gov.br/propostaweb/).

O prazo de inscrições se encerrará no dia 11 de dezembro de 2010.

Dúvidas sobre o Edital poderão ser respondidas pelo e-mail editalnufoc@palmares.gov.br ou pelo telefone (61) 3424 0185 begin_of_the_skype_highlighting (61) 3424 0185 end_of_the_skype_highlighting.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lideranças quilombolas reúnem-se para avaliarem ações da MALUNGU




Lideranças quilombolas estão reunidas de 10 a 13 de novembro na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, Belém, para avaliar as atividades desenvolvidas através do Fundo de Apoio às Comunidades Quilombolas, o fundo é uma parceria entre a FASE/Fundo DEMA - Amazônia e A MALUNGU com apoio da Fundação Ford do Brasil. O Fundo serviu para viabilizar a regularização de mais de vinte associações de remanescentes de quilombo em todo o estado do Pará fortalecendo politicamente a própria MALUNGU e ainda apoiar a geração de renda, extrativismo e produção familiar existentes nos quilombos. As cinco regiões que constituem a MALUNGU no estado estão reunidas para avaliar, planejar, monitorar e prestar contas da aplicação do fundo e para demandar sua possível continuidade. Através desse apoio ainda foi possível a identificação de novas comunidades quilombolas em todo o Pará, como por exemplo no município de Almeirim onde foram identificadas 36 comunidades negras potencialmentes quilombolas que ainda estão em processo de autoidentificação. Até o presente momento a avaliação discorreu de forma positiva quanto à aplicação do fundo. Espera-se com os resultados positivos dessa parceria que haja continuidade do trabalho. Vamos aguardar as deliberações finais.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Jornada de audiovisual leva oficinas aos infocentros do interior do Pará‏

Estão abertas inscrições para as oficinas do projeto SAMAUMA, uma das ações colaborativas do Programa NAVEGAPARÁ. O projeto vai capacitar sessenta pessoas nas técnicas de produção de vídeos, áudios e sites, mobilizando pontos de cultura, cineclubes e escolas a produzir conteúdos para exibição no programa “Ponto de Cultura Pará” da TV Cultura do Pará e também para publicação na internet.

O projeto “SAMAUMA-Jornadas de produção audiovisual em infocentros por pontos de cultura e cineclubes” vai realizar três jornadas de produção de audiovisual com oficinas de Roteiro e Direção de Vídeo; Produção e Finalização de Vídeo; Produção e Edição de Áudio; e Criação e Manutenção de Site. As jornadas vão acontecer em Ananindeua (Infocentro do Ponto de Cultura Ananin) no período de 10 a 14 de novembro; em Marabá (Infocentro do Ponto de Cultura Galpão de Artes de Marabá) de 16 a 21 de novembro e em Santarém (Infocentro do Pontão de Cultura Digital do Tapajós), de 5 a 10 de dezembro. Os participantes das oficinas têm que ter algum tipo de vínculo com infocentro, ponto de cultura, cineclube ou escola do projeto “Escolas de Portas Abertas”. A expectativa é que elas atuem como produtoras de conteúdos audiovisuais junto às organizações que os indicaram.

O projeto tem como meta produzir 30 vídeos e 30 áudios de curta duração para serem exibidos na TV Cultura e em telões nas áreas de acesso público do Programa NAVEGAPARÁ, visando socializar a produção com a população local e despertar o interesse da coletividade pela cultura digital. O “Manual de Produção em Software Livre” será distribuído aos participantes das oficinas e disponibilizado para download, visando disseminar o uso dos softwares livres. Também vão ser criados trinta sites como ferramentas de publicação de conteúdos audiovisuais e como estratégia de visibilidade das ações socioculturais dos parceiros do projeto. O “Mapa Olha Nós na Mídia”, um guia de sites e portais colaborativos de webradio e webtv, é outra ferramenta que o projeto vai adotar para estimular a publicação de conteúdos audiovisuais na internet através da rede de infocentros, escolas, pontos de cultura e cineclubes.

O Projeto SAMUAMA foi selecionado através de edital de apoio a projetos para ações colaborativas em Infocentros lançado pela FAPESPA - Fundação de Amparo à Pesquisa do Pará, órgão do Governo do Estado do Pará. O projeto é coordenado pelo educomunicador Samir Raoni e tem como parceiros o Pontão de Cultura Rede Juvenil, Pontão de Cultura Pororoca da Cidadania, Pontão de Cultura Digital do Tapajós, Coletivo Pogobol, Circuito Polífônico, Associaação Paraense de Jovens Críticos de Cinema, Sr. Chefe e Rede Cine Norte.

SERVIÇO: A inscrição na jornada de oficinas é gratuita e pode ser feitas pelo site www.redecom.org.br. Informações pelo e-mail samaumacoletivo@gmail.com e pelos fones (91) 8154-1386 begin_of_the_skype_highlighting (91) 8154-1386 end_of_the_skype_highlighting e (91) 9245-7985 begin_of_the_skype_highlighting (91) 9245-7985 end_of_the_skype_highlighting.

INSCREVA-SE (AQUI)

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Força e Honra!!!

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Samir Raoni ۞
www.samiraoni.wordpress.com
(91) 8154-1386 begin_of_the_skype_highlighting (91) 8154-1386 end_of_the_skype_highlighting (novo)
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Constelação de Ações


Somos uma rede social de pontos de cultura e movimentos socioculturais fruto do projeto pont�o de cultura Rede Amaz�nica de Protagonismo Juvenil, realizado pelos Argonautas Ambientalistas da Amaz�nia em convênio com o Ministério da Cultura, uma ação do Programa Cultura Viva.

Venha pra rede:


Endereço: Cidade Nova II WE 16 n� 161 (altos)

CEP 67.130-440 Bairro do Coqueiro � Ananindeua/PA-Amaz�nia - Brasil



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cabelo e identidade

Penteados afro - Quilombolas de Nova Vista do Ituqui
Outro dia fiquei inquieto ao ouvir uma pessoa falando com um companheiro quilombola a respeito de seus cabelos, do quilombola, que estava feio o corte que ele havia feito e que por isso o andava escondendo debaixo do boné. O primeiro pensamento que me veio de assalto foi a canção de Chico César: “respeitem meus cabelos brancos, chegou a hora de falar, vamos ser francos, pois quando o preto fala o branco cala ou deixa sala com veludo nos tamancos, o cabelo vem da África junto com meus santos... se eu quero pixaim, deixa, seu quero enrolar, deixa, se eu quero colorir, deixa, se eu quero assanhar, deixa, deixa a madeixa balançar”. Para os povos africanos os penteados são sinônimo de beleza, criatividade e identidade. Embora tenha iniciado a discussão com o termo feio não quero aqui filosofar sobre o conceito do belo, deixo essa questão para os filósofos de plantão. Quero enfocar os cabelos como sinônimo de fortalecimento da auto estima da pessoa, pois foi isso que mais me incomodou naquele momento. As comunidades quilombolas historicamente sofrem um processo de exclusão e invisibilidade social ainda muito acentuado, prova disso é que se você perguntar a qualquer pessoa que esteja caminhando pela orla da cidade se há comunidades quilombolas em Santarém, provavelmente ela lhe responderá que não sabe, agora se você fizer a mesma pergunta para algum acadêmico de uma dessas universidades daqui eles chutarãoSaracura ou talvez Bom Jardim e se você for ao bairro de Santana, Uruará, Área Verde, Jutaí e Maicá, esses saberão responder pelos menos: Saracura, Arapemã e Bom Jardim. Faço lembrar que em Santarém existem dez comunidades quilombolas identificadas e reconhecidas. Associada a essa questão está o auto reconhecimento do ser negro ou preto, aqui a situação fica ainda pior porque todo mundo quer ser qualquer coisa e de qualquer cor, menos negro ou preto. Os motivos? Todos já sabemos. Diante de toda essa situação o movimento quilombola se lasca fazendo oficinas, seminários, palestras sobre a identidade e cultura negra para aumentar a auto estima do povo quilombola sabe para quê? Para chegar alguém de fora e dizer que o cabelo da pessoa é feio! Minha gente!!!!!!!!!!!!! Cabelo é que nem... joelho, cada um tem o seu do seu jeito e por isso todo mundo é feliz. Por isso meu povo quilombola não se importe com quem não reconhece a identidade do outro e nem a valoriza, pintem seus cabelos, cortem do jeito que vocês acharem melhor, não existe padrão, forma ou modelo estabelecido a ser seguido, quer dizer..., na verdade existem sim uns criados por aí que determinam quem tem boa ou má aparência, entramos na filosofia e na arte do conceito do belo, que é vendido pela imprensa televisionada e alienante, mas nós viemos para fazer o contrário, aliás, viemos para sermos nós mesmos do jeito que nós quisermos com cabelo feio, segundo os outros, ou não, o importante é que a identidade e a auto estima dos quilombolas seja preservada e vivificada. Se acontecer isso novamente, se não quiserem falar então apenas cantem: “respeitem meus cabelos brancos, chegou a hora de falar, vamos ser francos, pois quando o preto fala o branco cala ou deixa sala com veludo nos tamancos, o cabelo vem da África junto com meus santos... se eu quero pixaim, deixa, seu quero enrolar, deixa, se eu quero colorir, deixa, se eu quero assanhar, deixa, deixa a madeixa balançar”.
Por: Aldo Lima

domingo, 31 de outubro de 2010

Tentativa de incêndio ao barracão do quilombo Pérola do Maicá

Neste fim de semana ocorreu mais uma tentativa de incêndio ao barrcão comunitário do quilombo Pérola do Maicá, José Humberto da Cruz, presidente do quilombo, nos informou que indivíduos queimaram a lona que cobria parte do barracão e que por pouco não causou um prejuízo maior a toda estrutura do barracão. Foi feito um boletindo de ocorrência na Delegagia da Polícia Civil e a perícia já foi feita no local, aguarda-se a resposta da mesma. Essa já foi a segunda ocorrência, o que tem deixado lideranças do movimento quilombola preocupados com as ações que vem ocorrendo do Pérola do Maicá. A assessoria jurídica da FOQS também está auxiliando no caso.


“Senhor, dai pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão” – Quando um programa de governo vira um transtorno

Desde 2003 as comunidades de remanescentes de quilombo de Santarém à partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto Leônidas e Maria Deane / Fundação Osvaldo Cruz – FIOCRUZ, Manaus – AM onde se identificou um alta taxa de desnutrição em adultos e crianças são atendidas pelo Programa Fome Zero. A FIOCRUZ encaminhou as estatísticas à Fundação Cultural Palmares - FCP e o levantamento do nº de famílias, 518 no total, desses quilombos para serem atendidos com o recebimento de cestas emergenciais de alimentos do Programa Fome Zero. A FCP, por sua vez encaminhou a demanda ao Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS que cadastrou as famílias quilombolas das seis primeiras comunidades quilombolas de Santarém.

O programa consistiria na distribuição das referidas cestas quatro vezes ao ano, divididas em quatro etapas, duas a cada semestre. Começa um sonho que logo se transformaria em um grande pesadelo. Nos dois primeiros anos, 2004 e 2005, a distribuição foi perfeita, à partir de 2006 começaram os atrasos na entrega das cestas... Ah, aqui vale ressaltar para os desinformados que existe uma grande diferença entre “cestas básicas” e “cestas emergencias de alimentos” fornecidas pelo programa. De forma simplicista a primeira possui gêneros alimentícios diversificados para a garantia de uma refeição básica de uma pessoa, já a segunda apenas fornece os gêneros alimentícios quase que indispensáveis, haver: arroz, açúcar, leite, farinha de mandioca, feijão, óleo, macarrão e flocos de milho, essa é a composição das cestas que as comunidades quilombolas recebem até o presente momento.

Segundo o próprio MDS durante a realização da oficina regional da Ação de Distribuição de Alimentos a Grupos Populacionais Específicos que ocorreu de 04 a 05 de junho de 2009, e Belém/PA, a Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB é a responsável pela distribuição das cestas de alimentos das comunidades quilombolas, isso mesmo, é dever da CONAB fazer as cestas chegarem até a comunidade a ser beneficiada, assim como é dever do INCRA fazer chegar as cestas aos assentamentos e a FUNAI às aldeias indígenas. Só que não foi bem isso que passou a ocorrer. Primeiro, as cestas nunca foram entregues nas comunidades quilombolas, desde a primeira distribuição as comunidades através de suas associações fazem suas “vaquinhas” para pagar o frete do caminhão que vem pegar os alimentos na sede da CONAB em Santarém para assim levar para os quilombos. Segurança alimentar e tirar o suado dinheiro do bolso dos quilombolas para garantir essa segurança estão intrinsecamente ligados, nesse Programa. Vale lembrar que também no início esses alimentos não eram recebidos pela CONAB de Santarém, as comunidades haviam que correr atrás de galpões com um e outro para receber as cestas, assim certa vez a SEMAB os recebeu em algum lugar que não me recordo agora.

De 2006 a 2007 muitas mendicâncias foram realizadas, aí muitos foram “solidários” e nos ajudaram  a fazer com que as cestas chegassem até Santarém. Situação pior foi em 2008 quando as comunidades quilombolas tiveram que desembolsar cerca de R$ 3.000,00 para pagar o frete de uma embarcação para transportar esses alimentos de Belém à Santarém, e mais o frete de Santarém para as comunidades, pois a CONAB alegou de que não havia transporte disponível para trazer os mesmos e se as comunidades quisessem que os fosse pegar em Belém, foi desse jeito! Depois do ocorrido e de muita reclamação feita durante a oficina de Belém a garantia de entrega dos alimentos da CONAB de Belém, que na verdade fica localizada em Ananideua, até Santarém ficou resolvida, porém fazê-las chegar às comunidades, isso ficou do mesmo jeito.

Com o crescimento populacional das comunidades quilombolas e o reconhecimento de mais quatro comunidades quilombolas em Santarém, naturalmente, as novas famílias quiseram ser inseridas no programa e não puderam porque segundo o MDS eles trabalham com mesma previsão de atendimentos que foi realizado em 2003, impossibilitando a entrada de novas famílias, mais um problema para as lideranças quilombolas resolverem, porque para não desagradar as demais famílias, solidariamente, se começou a dividir as cestas com as demais que ficaram de fora, e mais problemas surgiram.

Como de costume, neste mês de outubro a Federação das Organizações Quilombolas de Santarém – FOQS, responsável legal pelo recebimento das cestas, foi comunicada à respeito da chegada de mais duas etapas das benditas cestas de alimentos, e mais uma vez todo mundo sai correndo para fazer a “vaquinha” para pegar as cestas de alimentos que estavam no armazém da CONAB em Santarém, fomos informados na terça-feira, 26/10, fomos apresentados ao responsável do SESC de Belém, dessa vez responsável pela entrega dos alimentos na quinta-feira, 28/10, e na sesta-feira, 29/10 todos contentes fomos pegar as cestas de alimentos na CONAB. No entanto ninguém lembrou que no domingo, 31/10 fosse ocorrer a preciosíssima eleição, talvez porque quem tem fome não se preocupa em pensar, somente e comer, e despercebidos do perigo fomos todos para lá.

E aí mais um capítulo da novela começou, prontos para saírem com seu caminhão que iria levar os alimentos até o barco que depois seguiria para a comunidade quilombola de Arapemã foram impedidos de sair. A Polícia Federal com seus agentes pararam tudo e foram levando a liderança quilombola do Arapemã, seus carregadores, o motorista, o caminhão e o presidente da FOQS para prestar esclarecimentos a respeito daquela situação, pois havia sido feita uma suposta denúncia anônima que dizia que pessoas estavam recebendo cestas básicas em troca de voto e que por isso o senhor procurador eleitoral havia mandado fazer verificação.

...

Minha gente, por favor!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É pra rir porque chorar não dá mais. Todos atônitos sem entender ao certo o que estava ocorrendo ficaram esperando o presidente da FOQS prestar esclarecimentos. Faço lembrar aqui que estavam os seis caminhões das comunidades contratados, seis diárias pagas à toa, é ... dinheiro daquela “vaquinha” mesmo! O pessoal das comunidades quilombolas que estava desde as 7h descarregando e carregando os alimentos do caminhão da transportadora para o armazém da CONAB para contagem e depois para os caminhões contratados pelas comunidades, ficaram, uma parte, até ás 15h, com fome, os outros tiveram que ficar para descarregar os dois caminhões que a Polícia Federal havia embargado até ás 17h. Desfecho: talvez quarta-feira, 03/11, o juiz dê seu parecer quanto a liberação das cestas. Isto é DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME, isto é FOME ZERO, isto é SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL, isto é SOBERANIA ALIMENTAR!

Senhor, dai pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão, mas por favor Deus, não nos mande esse pão vésperas da eleição porque senão teu pão vira voto e aí a gente continua ffff....... faminto! Amém!



Por: Aldo Lima



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

UNIFEM seleciona consultoria para coordenação de pesquisa sobre comunidades negras rurais no Brasil, Colômbia, Equador e Panamá

Contratação se dá no âmbito da parceira entre UNIFEM-ONU Mulheres, Seppir e SEGIB

Brasília (Brasil) – O UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – parte da ONU Mulheres), por meio do Programa Regional Gênerio, Raça, Etnia e Pobreza, seleciona até 1º de novembro consultoria para coordenação de pesquisa sobre aspectos socioeconômicos, políticos, educacionais, alimentares e culturais de comunidades negras rurais no Brasil, Colômbia, Equador e Panamá. 

O(a) profissional selecionado(a) deverá ter mestrado ou doutorado nas áreas de Ciências Sociais, conhecimento nos temas de raça, gênero e geração. É exigida experiência de cinco anos junto a comunidades afro-rurais da região, dedicação exclusiva ao projeto, domínio dos idiomas Espanhol e Português, entre outras habilidades e conhecimentos. É estimulada a candidatura de pessoas negras neste processo seletivos. A consultoria será desenvolvida no período de novembro de 2010 a maio de 2011.

A contratação se dá no âmbito da parceira entre UNIFEM-ONU Mulheres, Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e SEGIB (Secretaria Geral Iberoamericana), tendo também como responsáveis técnicos o Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a Agência Brasileira de Cooperação.

Os/as interessados/as devem enviar sua proposta de custo total da consultoria, currículo e 
Personal History Form preenchido até 01 de novembro de 2010 para o endereço eletrônico danielle.valverde@unifem.org especificando no assunto da mensagem: consultoria coordenação geral.


Juristas Leigos reúnem com Associações Quilombolas para explanar sobre processos fundiários

Nos dias 23 e 24 de outubro  aconteceu nos quilombos de Bom Jardim, Murumurutuba e Murumuru, a reunião das comunidades com 15 jovens Juristas Leigos, onde puderam explanar o que aprenderam durante a realização do 1º módulo do curso de Juristas Leigos, que aconteceu no dia 25 de setembro.
Reunião no quilombo Bom Jardim
                As reuniões tiveram como objetivo socializar o que Juristas aprenderam sobre o Processo de Titulação dos Territórios Quilombolas no INCRA e de como esse procedimento funciona. Durante as reuniões os Juristas Leigos puderam tirar dúvidas e juntamente com os comunitários interagiram para acrescentar aos demais presentes a origem e histórias de cada quilombo.
Reunião no quilombo Murumurutuba
               No final da visita foi feito um agradecimento pela participação dos jovens e todos os presentes, ressaltando-se que a luta por titulação é centenária e que cada vez mais os jovens devem buscar conhecimentos por que eles serão os que repassarão essas informações dentro de seus quilombos e buscar junto dos órgãos competentes o apoio que necessitam e prosseguir a luta em busca da Titulação.
Reunião no quilombo Murumuru
                 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Inscrições para V Fórum Social Pan Amazônico já estão abertas

ROTEIRO ORIENTANDO AS INSCRIÇÕES PARA O V FSPA


Somos os povos das florestas, dos rios, das chuvas, dos povoados, das aldeias, das cidades, dos quilombos, dos assentamentos, dos nove países que compartem a Pan-Amazônia. Somos muitas vozes falando centenas de idiomas, fazendo o mesmo chamado: é preciso deter a máquina que empurra o planeta e a humanidade para o abismo. Até chegarmos aqui percorremos um longo caminho. Sabemos que a Pan-Amazônia é um dos mais importantes cenários da batalha que se trava pela salvação do planeta e da humanidade. Somos diferentes, por isso somos fortes.


Ao realizar sua inscrição ao V FSPA, você estará aderindo à Carta de Princípios do Fórum Social Mundial.

Leia atentamente as orientações abaixo, preenchendo corretamente o formulário de inscrição.

1- Ao entrar no site você terá um link para inscrições, onde você poderá fazer a inscrição individual diretamente no site, ou deverá baixar o formulário referente à outra inscrição (organizações, autogestionadas, mídia livre e mídia comercial), preenchê-lo e enviá-lo para: inscricao@forumsocialpanamazonico.org

2- O pagamento da inscrição se dará por meio de depósito bancário IDENTIFICADO no Banco Itaú, Agência 1580, Conta Corrente nº 15973-7.

3- Em seguida você deve enviar o comprovante escaneado e identificado (nome completo do participante ou organização) para a coordenação do V FSPA, no e-mail: inscricao@forumsocialpanamazonico.org ou enviando o comprovante de pagamento (identificado) via Fax: (091) 3225-1668. ATENÇÃO: Guarde o comprovante de pagamento, pois este será solicitado durante o credenciamento.

4- Sua inscrição somente será confirmada após a comprovação do depósito bancário.

5- Por favor, verifique se as informações fornecidas estão corretas. Caso haja alteração em alguma das informações fornecidas, comunique a coordenação do V FSPA pelo e-mail: inscricao@forumsocialpanamazonico.org

No site do FSPA você encontrará os seguintes formulários:
- Formulário de inscrição de organizações e entidades;
- Formulário de inscrição de atividade autogestionada;
- Formulário de inscrição de meios de comunicação livre
- Formulário de inscrição de imprensa comercial

As inscrições obedecerão aos valores abaixo especificados:
Tipos de inscrição
Valor (R$)
Observações
Individual
20,00
-
Organização/Entidade (sem realização de atividade autogestionada)
50,00 (com direito a 2 participantes)
A cada novo participante será acrescido o valor de R$10,00*
Autogestionada
100,00 (com direito a 2 participantes)
A cada novo participante será acrescido o valor de R$10,00**
Imprensa comercial
Isento
-
Meios de Comunicação Livre
Isento
-
* Exemplo: Entidade com 05 participantes: R$50,00 + R$30,00 = R$80,00
** Exemplo: Entidade com 05 participantes: R$100,00 + R$30,00 = R$130,00


INSCRIÇÃO DE ATIVIDADES AUTOGESTIONADAS

LEIA ATENTAMENTE ANTES DE PREENCHER O FORMULÁRIO DE PROPOSTA DE ATIVIDADES

1. As atividades autogestionadas somente poderão ser propostas por organizações/entidades.

2. No caso das atividades autogestionadas, o pagamento correspondente somente deverá ser feito após a confirmação da aceitação da referida atividade, por meio de correspondência eletrônica da coordenação.

3. As atividades autogestionadas são de responsabilidade dos seus proponentes, que se encarregarão de definir o formato, os nomes de eventuais palestrantes, conseguirem os equipamentos necessários, assim como fazer o registro/memória da atividade desenvolvida. A Coordenação do V FSPA 2010 garantirá o local para a realização da atividade, e se responsabilizará pela divulgação na página do Fórum Social Pan Amazônico e no programa do evento FSPA 2010.

4. Cada organização pode propor o máximo de 02 (duas) atividades. Cada atividade inscrita deverá corresponder a 01 (um) turno de quatro horas (8h30 às 12h30 ou 14h30 às 18h30). Pelas condições de infra-estrutura do território e seu entorno, pretende-se acolher até 140 atividades autogestionadas, considerando que só haverá um dia para sua realização, 26 de novembro/10.

5. Recomenda-se que as organizações, redes e movimentos façam um esforço para trabalhar de maneira cooperada e busquem preparar conjuntamente e antecipadamente suas atividades, bem como dar continuidade a elas após o evento V FSPA 2010. Para isso, podem ser utilizadas ferramentas de comunicação existentes (espaços de trabalho colaborativo), como o Open FSM/V FSPA (www.openfsm.net), indicadas no final do processo de inscrição da atividade. O espaço colaborativo associado a uma atividade será visível no programa eletrônico do FSPA – www.forumsocialpanamazonico.org

6. As inscrições de atividades autogestionadas encerram-se no dia 24 de outubro ou até atingir o número de 140 atividades inscritas.

7. As organizações que propõem atividades autogestionadas deverão realizar o pagamento da taxa de inscrição até o dia 30 de outubro de 2010. Somente atividades de organizações que pagaram sua inscrição serão inseridas na programação do V FSPA.

8. Há alguns campos na ficha que se referem à memória e ao registro do conteúdo da atividade autogestionada, bem como as experiências e idéias acumuladas pela organização que a esta propondo. Estes campos deverão ser preenchidos com atenção, pois serão sistematizados pela Coordenação do V FSPA, servindo como base para as atividades centralizadas que ocorrerão.

Para consultas, esclarecimentos, informações e sugestões que considerem necessárias, encaminhem mensagens para inscricao@forumsocialpanamazonico.org

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pesquisa científica na área de Literatura será feita em quilombos de Santarém e Oriximiná


Ainda neste mês o Prof. Ms. Luiz Fernando de França, professor de Literatura da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA estará desenvolvendo uma pesquisa científica intitulada “Literatura Popular Afro-amazônica: registro e análise de narrativas orais das comunidades remanescentes de quilombos da região oeste do Pará”.  O projeto tem como objetivo discutir a produção artística afro-amazônica das comunidades remanescentes de quilombo da região oeste do Pará, com ênfase no registro e estudo das narrativas orais; que por sua vez será constituído de três fases: pesquisa bibliográfica, coleta de dados e análise dos dados coletados. A pesquisa conta ainda com a colaboração de uma acadêmica do Curso de Letras da UFOPA, Miriã Campos Meireles e demais voluntários do Grupo de Estudos da Literatura Africana e Afro-Amazônica.
O trabalho será de grande importância para a criação de um banco de dados de produção literária quilombola que deverá ser publicado pelo Ponto de Cultura Kizomba em 2012 e ser distribuído para utilização em sala de aula nas escolas quilombolas do município e região.

Lançamento do Projeto Brasil Local Etnodesenvolvimento e Economia Solidária


05 de outubro de 2010 

Comunidades quilombolas de todo o país iniciaram um relacionamento diferente com a universidade pública federal. Pela primeira vez, populações tradicionais ingressam na instituição com a proposta de estabelecer uma relação igualitária com a Academia na produção de conhecimento, na afirmação e no fortalecimento de atividades produtivas baseadas na economia, na comercialização e na organização social solidárias.
Esse passo foi dado segunda-feira (27/09) com o lançamento do Projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária do Programa Brasil Local, no auditório Horta Barbosa, do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pela Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec).
Executora do projeto e organizadora do lançamento, a Coppetec atua em parceria com o Núcleo de Solidariedade Técnica (Soltec/ UFRJ) e com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas (Conaq) para viabilizar o projeto, o qual faz parte de um programa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), intitulado Brasil Local, que tem a Cáritas Brasileira como entidade articuladora nacional.
Pesquisa-ação – O lançamento reuniu representantes das dez entidades integrantes do Projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária e conferiu reconhecimento a uma metodologia de pesquisa inovadora: a “pesquisa-ação”. Desenvolvida para proporcionar aos estudiosos o papel de pesquisadores deles mesmos, a pesquisa-ação é um conjunto de métodos cujo objetivo é, dentre outros, o de promover um novo e diferente desenvolvimento das comunidades quilombolas.
Por meio dessa metodologia, “a própria comunidade estudada é quem desenvolve a pesquisa, ou seja, com base em sua própria experiência, ela produz o conhecimento novo, chancela ou não e patenteia conhecimento o tradicional”, explica o coordenador executivo do Projeto Etnodesenvolvimento e Economia Solidária da Coppetec, Quêner Chaves do Santos. Segundo ele, a UFRJ está à frente dessa nova metodologia por intermédio do professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppetec/UFRJ), Michel Jean Marie Thiollent.
Missão – Outra inovação do projeto evidenciada durante o lançamento é o fato de ele estar focalizado em atividades produtivas realizadas em territórios étnicos. De acordo com Quêner Santos, os territórios étnicos são espaços de desenvolvimento e de aplicação de políticas públicas em áreas interligadas, as quais se relacionam entre si de forma integrada, respeitando a identidade cultural e étnica da comunidade.
O lançamento serviu também ato de abertura para o I Seminário de Formação, realizado para preparar dez articuladores territoriais contratados pelo governo federal para coordenar 30 agentes de desenvolvimento solidários distribuídos em 11 estados da Federação.
Uma das principais missões desses articuladores é a de promover o fortalecimento de 100 empreendimentos existentes em territórios étnicos-solidários, ou seja, em comunidades quilombolas.Têm ainda a tarefa de mapear e de identificar novos possíveis empreendimentos solidários, dentre eles, os bancos comunitários.

Fonte: http://www.fbes.org.br